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Riscos psicossociais no canteiro: a nova NR-1 muda o documento ou a organização do trabalho?

Foto do escritor: PEDRO AUGUSTO ARCANJO COSTA NUNES
PEDRO AUGUSTO ARCANJO COSTA NUNES
há 17 horas
2 min de leitura

A nova redação do capítulo 1.5 da NR-1, em vigor desde maio de 2026, trouxe uma mudança expressiva. Os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho passaram a fazer parte, obrigatoriamente, do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).


Para quem está na obra, é natural mapear o perigo físico primeiro: a falta de guarda-corpo, o ruído da serra, o trabalho em altura, mas existe uma questão nova: como se mapeia a pressão excessiva por prazos ou a falta de apoio na frente de serviço?




O risco invisível agora é mapeado


O PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) tradicionalmente lida com o que é tangível. A nova regra de 2026 amplia essa visão. O manual do Ministério do Trabalho cita fatores como excesso de demandas, assédio e falta de suporte no trabalho.


Uma concretagem que entra pela noite. Uma equipe realocada sem os recursos adequados. Uma cobrança desproporcional por produtividade quando a logística do canteiro não ajuda. A atividade executada pode ser a mesma, mas a exposição ao estresse, à fadiga e à pressão altera completamente a segurança e a saúde daquele trabalhador.


Não é sobre qualquer dificuldade da rotina


A própria NR-1 prevê que a análise deve focar na organização do trabalho. Não se trata de colocar o cansaço comum de um dia de obra dentro do PGR. O ponto é identificar situações sistêmicas que representem risco ocupacional.


O método de trabalho adotado exige metas irreais? O modelo de cobrança da liderança no campo configura assédio moral? Há clareza nas orientações ou a equipe trabalha apagando incêndios o tempo todo? Burnout, ansiedade e esgotamento agora são passivos mapeáveis.


A informação vem da frente de serviço




A NR-1 prevê a participação dos trabalhadores no gerenciamento, inclusive por meio da percepção dos riscos. Quando falamos de saúde mental, isso faz ainda mais diferença na obra.


Quem executa percebe quando a meta do dia é inatingível. Percebe quando a falha de comunicação entre a engenharia e o campo gera retrabalho constante e desgaste extremo. Se essa informação não volta para quem planeja a obra, o risco psicossocial continua invisível até que se transforme em um afastamento, um acidente por desatenção ou um processo trabalhista.


A mudança vai além de um novo anexo no PGR


Revisar documentos para incluir a "saúde mental" faz parte da adaptação à nova NR-1. Mas o ponto central é fazer com que o gerenciamento olhe criticamente para as decisões tomadas durante a execução.


Se o cronograma apertou e a cobrança subiu de tom, o risco mudou junto. A melhor evidência de um gerenciamento bem aplicado não está apenas no laudo atualizado e perfeitamente arquivado. Está na capacidade de organizar a produção para que o cumprimento do prazo não custe a integridade física e mental de quem faz a obra acontecer no campo.

 
 
 

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