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Experiência de obra não está no currículo

Foto do escritor: PEDRO AUGUSTO ARCANJO COSTA NUNES
PEDRO AUGUSTO ARCANJO COSTA NUNES
16 de out.
3 min de leitura

Duas pessoas podem ter o mesmo cargo, a mesma formação e até anos semelhantes de carreira. Porém, quando precisam tomar uma decisão diante de uma situação que não estava prevista no projeto, a resposta de cada uma pode ser completamente diferente.

É aí que aparece uma parte da experiência que dificilmente cabe em um currículo.

Na obra, esse conhecimento vai sendo construído em situações que nem sempre parecem importantes no momento: uma sequência que precisou ser invertida, uma equipe que chegou antes da frente estar realmente pronta, uma interferência descoberta durante a montagem, um material que não chegou como previsto ou uma solução que funcionou no papel, mas criou outro problema durante a execução.

Algumas coisas só aparecem quando a obra começa


Um projeto pode indicar a sequência de execução. Quem já passou por aquela situação talvez perceba que determinada etapa precisa de mais espaço, que uma equipe vai disputar acesso com outra ou que executar uma atividade naquele momento vai dificultar a próxima.


Não é uma informação que necessariamente está desenhada.




O mesmo acontece com materiais. Um profissional que já recebeu e acompanhou a instalação de determinado sistema consegue perceber mais rapidamente quando uma entrega não está adequada para aquela etapa. Às vezes o material está correto, mas falta alguma execução para que ele possa ser utilizado. Já em outra situação onde à falta de vivência, a equipe só percebe tal problema durante a execução.


A experiência começa a aparecer justamente nesses detalhes.


O problema nem sempre está onde parece


Quem está há mais tempo em obra também aprende a não tratar todo desvio pela aparência. Um exemplo: uma equipe está produzindo menos, pode ser falta de produtividade, mas também pode haver uma espera que começou em outra frente. Outro exemplo: uma montagem não está avançando. Antes de cobrar velocidade, pode ser necessário olhar o acesso, o equipamento, o material ou a própria sequência planejada.


Esse tipo de leitura muda a decisão. Em vez de atacar o primeiro problema que aparece, o profissional tenta entender o que está fazendo aquela frente perder ritmo ou atrasar.


E existe o conhecimento que só vem depois do erro


Parte da experiência também nasce de situações que deram errado. Uma etapa foi executada antes da hora e depois precisou ser desmontada, um equipamento chegou à frente errada, uma equipe foi mobilizada sem encontrar as condições necessárias para trabalhar ou um serviço precisou ser refeito porque uma informação importante só chegou depois do início da execução.


Quem já viveu esse tipo de situação dificilmente esquece.


Na próxima vez que uma situação parecida aparece, aquela experiência entra naturalmente na decisão. O profissional reconhece alguns sinais, lembra do que aconteceu anteriormente e passa a questionar a sequência, a preparação da frente ou a informação disponível antes de seguir. Não porque exista uma regra escrita dizendo exatamente o que fazer, mas porque ele já viu as consequências daquela decisão.


É dessa forma que muito conhecimento de obra é construído. Parte vem da formação e dos procedimentos, mas outra parte vem daquilo que só se aprende quando uma decisão precisa ser tomada, a execução acontece e, depois, alguém consegue olhar para o resultado e entender o que poderia ter sido feito diferente.


Esse conhecimento não pode ficar preso a uma pessoa


Se somente uma pessoa sabe por que determinada sequência foi escolhida, por que uma solução anterior não funcionou, porque determinada frente foi pausada ou qual cuidado precisa ser tomado em uma tarefa específica, a equipe fica dependente daquela presença.

É por isso que registrar decisões, ocorrências e lições aprendidas tem valor.


Não para transformar a obra em um arquivo de documentos, mas para evitar que uma experiência que custou tempo e esforço desapareça quando aquela pessoa deixar a frente. Uma boa equipe não é formada apenas por profissionais experientes em ações, ela é formada também por um ambiente em que a experiência de um profissional é passada a frente e consegue acelerar o aprendizado dos outros.




O currículo conta uma parte


Formação, cursos, cargos e tempo de carreira ajudam a entender a trajetória de um profissional.


Mas não mostram se ele consegue perceber que uma frente ainda não está pronta por determinado fator ou erro. Se sabe quando uma sequência precisa ser revista, estudada, pausada ou se precisa de mais foco para que outras frentes avancem no tempo correto.


Se consegue identificar que um atraso nasceu em outra atividade. Se reconhece uma condição que já trouxe problema em outras obras. Todos esses mínimos fatores citados aqui nascem no dia a dia da obra!

 
 
 

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